Memórias de África Central 2012 - 19Janeiro-02Fevereiro

 

 

Quando pisei o Norte de África pela primeira vez em 2008 e ao volante do Defender  percorrendo locais emblemáticos de Marrocos, fazendo parte de um grupo, senti que se tinha aberto para mim outro Novo Mundo e que iria voltar.

 

Em 2009 percorri com um amigo espanhol a zona costerira do Sahara Ocidental e Mauritânia.

 

Em 2010 visitei novamente a Mauritânia bem como  uma parte do interior do Sahara Ocidental

 

Em 2011 cheguei até Pointe Noire no Congo-Brazzaville.

 

Para 2012 tinha como objectivo a cidade de Agadez no Níger para aí ficar alguns dias e conhecer o povo Tuareg.  Em viagem na Mauritânia, o mau funcionamento da bomba do gasóleo, obrigou-me a recorrer à assistência oficial em Dakar sem sucesso e posteriormente com sucesso ao agente oficial em Bissau. Colocada nova bomba em Bissau e feito o ponto de situação, estava afastada desta viagem a hipótese de ida a Agadez.

 

O que se segue é uma síntese desta viagem onde pretendo dar a conhecer duma forma simples do vivido e sentido à medida que avançava no terreno.

 

Logisticamente o objectivo era chegar a Nouakchott o mais rápido possível e fazer também o regresso do mesmo modo por Nouakchott.

 

O realizado:

 

Porto – Algeciras:  ida e volta 1.980 Kms em 2 dias

 

“Corredor”   Tanger Med – Nouakchott:  ida e volta 5.786 kms em 4 dias

 

Viagem em 10 dias com partida e volta de Nouakchott: 4.700kms

(Mauritânia, Mali, Senegal, Gambia, Senegal, Guiné Bissau, Senegal, Mali, Mauritânia)

 

 

Total:   12. 466Kms

 

 

Em Boghé, vila da Mauritânia na margem do rio Senegal, fui a pé até ao leito do rio, onde se sentia uma paz e um silêncio só quebrado por vozes de aldeãos e pelo lavar de roupas nas águas do rio.

 

 

 

Em África, a pureza no olhar das crianças, o sorriso simples e acolhedor das pessoas, a luta pela sobrevivência em cada momento, a ajuda nas dificuldades, as emoções à flor da pele, o viver feliz com pouco, a improvisação a cada momento provoca em mim sentimentos de maior humanidade e respeito pelos outros, mais tranquilidade, mais rigor, uma maior capacidade de trabalho, maior autonomia e um fascínio por este continente.

 

  

 

http://www.youtube.com/watch?v=LDOiQEEAfDA

 

 

Viajar sozinho em África é ter Africanos como companhia em partes de percurso no Defender,  fazer refeições em conjunto nas aldeias em convívio, partilhando das suas culturas onde sempre fui acolhido com respeito e carinho

 

 

1º dia: de Bogué a Maghana

 

 

 

Trajeto próximo do rio. Dei boleia a um polícia até Maghana, tendo partilhado a refeição com os colegas no posto (leite de cabra e mandioca). Ofereci-lhes latas de atum à algarvia. Após conversa dormimos todos no posto, eles em carpetes e eu no meu saco cama. Embora não confortável fizeram questão que dormisse em segurança, pois querem que os turistas regressem ao seu país.

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=fi2R56sCrPc

 

http://www.youtube.com/watch?v=4nIXer_wJ0k

 

http://www.youtube.com/watch?v=HkvEuSvAEvY

 

http://www.youtube.com/watch?v=RJUK6oYdjRI

 

 

2º dia (23 de Janeiro):  de Maghana (Mauritânia) a Kidira (Senegal)

 

 

 

 

 

Durante o percurso neste dia e ainda na Mauritânia, surgiu o mau funcionamento no sistema de alimentação de gasoil. Mais tarde  verificou-se que residia na avaria da bomba de gasoil inserida no tanque de combustível, a qual, não tendo reparação seria substituída por uma nova. Contactada telefonicamente a assistência oficial em Dakar e assegurada a assistência, o objetivo era Dakar.

 

Em termos de material para navegação levava dois GPS e o mapa 741 Africa North & West da Michelin. Não possuia qualquer track, pelo que o trilho consistia em pistas (estradas de terra ou alcatrão) por vezes improvisadas, em virtude de sair do trilho. Como GPS, um era o “velhinho” Oregon da Garmin e outro o Montana também da Garmin. Em nenhum deles levava cartografia, a não ser a de base. A cartografia de base só tem as estradas principais. O valor acrescentado da informação de base era a visualização de cidades e vilas, as quais estavam  nos GPS no sítio exato. Daí que se saísse dum trilho, procurava atingir a vila pretendida em “azimute”.

 

 

Um exemplo é a entrada “clandestina” no Mali a partir da Mauritânia neste dia.

 

 

O objetivo era o posto fronteiriço: Melgué (Mauritânia) e de seguida Melgué (Mali)

 

Após tentar reencontrar a pista entrei em Melgué e parei na Alfândega. Disseram-se que estava no Mali. Como tinha que cumprir as formalidades no país de saída, reentrei na Mauritânia para carimbar a saída no passaporte e enttregar o “Passe avant” (documento do automóvel que nos é entregue sempre na entrada de cada país, o qual demostra a legalidade na circulação do veículo)

 

 

Ao reentrar no Mali foi-me entregue o “Passe avant” sendo que o carimbo no passaporte quer da entrada, quer do visto, deveria ser efetuado na Polícia na cidade de Kayes, onde chegaria já de noite.

 

Em qualquer país onde estivesse, quando uma patrulha da polícia ou do exército me mandava parar, perguntava sempre se o itinerário pretendido era seguro e se podia conduzir de noite. Em todas as ocasiões me responderam que não havia problema e que os caminhos eram seguros.

 

Digo isto, porque depois de entrar no Mali metade da viagem até Kayes foi efetuada pela pista já de noite.  Cumpridas as formalidades em Kayes atravessei a fronteira para o Senegal em Diboli e passei a noite junto à fronteira em Kidira.

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=6-24-D9M1w8

  

http://www.youtube.com/watch?v=YDcL75S0KX0

  

 http://www.youtube.com/watch?v=nwzkmxgU7t0

  

 

3º dia (24 de Janeiro):  de Kidira (Senegal) a Dakar (Senegal)

 

 

Percurso quase na totalidade pela estrada principal, passando por Tambaconda, Kaolack. Chegada a Dakar de noite. Antes de descansar em Dakar, fui confirmar o local da assistência do qual tinha um “waypoint”.

 

 

 

 

A condução tornava-se difícil. Como a quantidade de gasoil que entrava para os injetores era escassa, a velocidade só era possível a 60 kmh e em 5ª. Caso o pedido de gasoil fosse maior o motor “soluçava” e parava por falta de alimentação. Para o colocar em funcionamento novamente, só passado alguns minutos e tinha que dar várias vezes “à chave” carregando no pedal do aceledor com muita insistência.

 

 

 

 

 

4º dia (25 de Janeiro):  de Dakar (Senegal) atravessando a Gâmbia e até Seleti (posto fronteiriço do Senegal depois de passar a Gambia).

 

 

 

 

 

Chegado às 08H30 ao assistente oficial Ford/Land Rover em Dakar esperei pela chegada do responsável da oficina (Sr. Dijangai) com o qual tinha falado pelo telefone no dia anterior.

 

Enquanto aguardava a chegada observava à volta. Os funcionários estavam a chegar atrasados e outros não vinham porque em Dakar havia uma greve geral dos transportes. Os que chegavam vinham na caixa de carga de camionetes. A greve tem contornos políticos em virtude de no mês de Fevereiro haver eleições no Senegal e muitos cidadãos querem o afastamento do presidente. Entretaram chegaram para manutenção cinco Defenders do exército francês que se encontram em missão no Senegal.

 

Dijangai informou que fazia o diagnóstico da avaria e reparação, no entanto não tinha dava qualquer prazo para iniciar a reparação em virtude de já ter na banca de trabalho Defender de turista francês em reparação e tinha de dar prioridade à revuisão dos cinco Defenders do exército francês em virtude de ter um contrato com o exército e ter de cumprir prazos.

 

Dada a resposta obtida e como senti que havia muito stress naquela oficina, visto ter uma grande dimensão e muito movimento decidi rumar a Bissau onde há um assistente oficial Land Rover.

 

Chegado à fronteira do Senegal com a Gâmbia fiz as formalidades. Depois de obter o visto e o “pass avant” para o veículo, perguntei se podia seguir viagem ao que me responderam que sim. Entrei no Defender, coloquei-o em marcha e arranquei. Surgiu de imediato à frente do veículo um homem não fardado do edifício da Brigada do Narcotráfico que me indicou para entrar com a viatura no parque a céu aberto dessa polícia. Entrado no local através do portão o polícia fechou o mesmo e com uma postura delicada e afável informou que existe muita entrada de droga na Gâmbia e como tal tinha que revistar completamente o veículo o que poderia durar muitas horas. Mais acrescentou que como eu tinha ar de boa pessoa e já de alguma idade e ele respeitava muito as pessoas de idade deixava-me ir embora de imediato se eu desse uma lembrança pecuniária a ele e à colega polícia que de imediato apareceu na cena. Bom, feitas contas à vida, constatei que a minha posição era desfavortável, dei-lhe uma contribuição e de imediato o portão se abriu com os votos de uma muito boa viagem.

 

 

A parte mais interessante da travessia na Gâmbia foi a passagem em ferry boat da cidade de Barra para Banjul, capital da Gâmbia.

 

Quando cheguei ao posto fronteiriço da Gâmbia com o Senegal eram 20H30 e já de noite o mesmo estava fechado. Informaram-me pessoas que estavam no local que tinha de aguardar aí até à manhã do dia seguinte, visto que o postoi fronteiriço fecha às 19H00.

 

Não conformado com o fecho deste posto, avancei em direção ao posto fronteiriço do Senegal.

 

A polícia deste posto informou-me que não me deixava continuar, visto o posto ter fechado às 19H00 e como eram 20H30 já não havia ninguém para as formalidades. Embora inconformado lá fiquei a passar a noite no posto fronteiriço.

 

 

  

 

http://www.youtube.com/watch?v=e9wEGUPV_9g

 

http://www.youtube.com/watch?v=RGyK9wyzxr8

 

http://www.youtube.com/watch?v=rytn6c2AyIU

 

http://www.youtube.com/watch?v=QKN_hyVhUeI

 

http://www.youtube.com/watch?v=QPQASiPha_Y

 

 

 

5º dia (26 de Janeiro):  de Seleti (posto fronteiriço do Senegal depois de passar a Gambia) até Bissau (Guiné Bissau).

 

 

 

Uma características das estradas em África é poderem ser atravessadas em qualquer momento por vacas, cabras, cães e até animais selvagens como aconteceu mais tarde no Senegal ao atravessar o parque natural de Niokolo Koba onde atravessavam macacos, antílopes e uma espécie parecida com o Javali. Para os animais selvagens o ruído na aproximação do motor TD5 é o toque “salve-se quem puder” escondendo-se de imediato na floresta, impedindo-me de tirar fotos aos mesmos. Disse isto porque a meio caminho entre o Senegal e a Guiné-Bissau começaram a aparecer no meio da estrada pequenos porcos pretos. Mais tarde constatei que na Guiné Bissau o porco preto (de pequenas dimensões) é criado nas “tabancas” juntamente com garnisés. Curioso é que os porcos não comem por exemplo cascas de manga, mas deliram com arroz.

 

A paisagem começa a ser caracterizada por largos braços de rias e campos planos.

 

Chegado à fronteira da Guiné foi alvo duma calorosa recepção pelos funcionários da fronteira que me trataram todos com muito carinho. Na Guiné Bissau além de todos falarem a língua portuguesa são dum tratamento extraordinário. Todos me perguntavam como me chamava e faziam questão de dizer seus nomes.

 

Os guineenses embora sendo um conjunto de aproximadamente 28 etnias, são muito tranquilos, com bom humor e muito respeitadores. Não senti qualquer ressentimento para com os portugueses. Há pessoas que são veneradas pelos guineenses. Ex: António de Spínola e Luis Figo. António de Spínola pela defesa dos interesses dos guineenses e Luis Figo pela sua aitude “low profile”.

 

Chegado a Bissau descansei para no dia seguinte ir ao assistente oficial.

 

Nessa noite fui a um restaurante português onde no menú tinha bacalhau assado. Durante a noite apercebi-me que a cidade de Bissau conserva as construções residenciais da época colonial e está na direcção certa ao reabilitar os edifícios quer para fins públicos quer para fins privados. A segurança em Bissau é total.

 

Uma curiosidade: na Guiné Bissau ao contratar o seguro automóvel fornecem um selo e autocolante para o pára-brisas. O selo é um pouco maior que o nosso. Conservá-lo-ei no pára brisas enquanto durar.

 

Uma expressão curiosa na Guiné para classificar uma pessoa sem valor e desprezível, diz-se que essa pessoa é um “sáca lata”.

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=86kXCXymIwo

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=kckfY-g98tA

 

 

6º dia (27 de Janeiro):  Bissau (Guiné Bissau).

 

 

Este dia estava dedicado a resolver a avaria na bomba do gasóleo localizada dentro do depósito, no assistente oficial da marca.

 

Imagens da operação de substituição da bomba na Land Rover de Guiné Bissau, supervisionada pelo francês: André. Esta oficina demonstrou organização e competência.

 

A meu pedido fizeram abertura no chão da cabine de carga, para tornar mais fácil uma futura substituição da bomba de gasóleo.

 

 

Após a reparação o jantar foi num hotel restaurante de Bissau chamado “Coimbra” propriedade de portugueses. O jantar é em self service com aperitivos, pratos de carne e de peixe, sobremesas e vinho português.

 

O guineense alimenta-se de muito arroz. É pena ver terrenos de cultura de arroz abandonados. Hoje o arroz é quase todo importado e trocado por caju, onde a Guiné é uma forte produtora e exportadora.

 

Bissau tem um porto de mar e um porto de pesca com uma grande actividade para compra de peixe ao início da manhã. Interessante ser o cão um animal doméstico muito apreciado na guiné.

 

Constata-se que a Guiné está em desenvolvimento e daí também haver portugueses que ou não abandonaram a Guiné com a independência ou vieram de novo para a Guiné iniciar novas actividades.

 

A qualquer visitante de Bissau choca a dimensão que me parecesse excessiva duma estrutura da ONU. Tem um aldeamento próprio com grandes edifícios e com um parque automóvel numeroso e invejável. É ver a circular numerosos e valiosos jipes pelas ruas da cidade. Há centenas de funcionários da ONU com famílias completas implantados neste condomínio privado que parece uma cidade e com uma segurança enorme. Todos os gastos são pagos pelos guineenses, pois o dinheiro que é fornecido à Guiné entra através da ONU a qual fica à entrada com a sua larga comissão.

 

Os terrenos na Guiné à beira mar são promissores em termos de indústria turística. Esperemos que este pequeno país consiga autonomizar-se e crescer em desenvolvimento com o novo sangue da juventude guineense.

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=8d0zeF4S--s

 

 

7º dia (28 de Janeiro):  de Bissau (Guiné Bissau) a Kolda (Senegal)

 

 

 

O trajeto percorrido nesta parte do Senegal atravessa a região de Casamance zona onde há muitos rebeldes. Presenciei na estrada principal operações militares de “caça” aos rebeldes, onde tanques, jipes com metralhadoras e soldados a pé estavam presentes e em acção. Vendo todo este reboliço parei e perguntei a um militar graduado se havia problemas em seguir para Kolda, ao que ele respondeu que  como turista não tinha qualquer problema. Mais tarde um bombeiro a quem dei boleia para Kolda, informou-me que do mesmo modo que a Gambia, Casamance quer a independência do Senegal. Não comentei quando ele me referiu que a Guiné Bissau dá apoio aos rebeldes e que o armamento para os rebeldes entra na região através da Guiné Bissau.

A fauna e flora desta região (Casamance) é muito rica e variada. Há permanentemente pássaros voando junto à estrada de cor azul turquesa, outros de azul escura e com asas vermelhas, que dão um ar gracioso a alguma monotina de paisagem que por vezes existe (capim ladeando ambos os lados).

 

Um hábito muito  comum na África de savanas com capim é fazer queimadas. Fazem-nas para que na época das chuvas nova erva e vegetação cresça.

 

 

Lembrei-me agora de referir duma forma global  que sempre fui bem recebido por todas as patrulhas policiais ou militares que fazem controle aos veículos em África. Mais, enquanto presenciava outros veículos a serem revistados, bem como pessoas, perguntavam-me sempre se estava tudo a correr bem e desejavam-me boa viagem. De minha iniciativa informava para onde prtetendia ir e qual o trajeto, ao que sempre me respondiam que não havia qualquer problema de segurança, inclusivé conduzir à noite. Várias vezes conduzi à noite até chegar ao ponto de destino, sem qualquer problema ou indício de perigo. O único desconforto duma condução notura são buracos na estrada e desalinhamento dos faróis de veículos que transitam em sentido oposto.

 

Todas as cidades em África em que passei (exceto Dakar) são atravessadas, visto não existirem vias que as contornem. Logo a rua principal é por excelência a via com maior comércio desde vestuário, alimentação, animais dando muita vida e cor à passagem. Há locais onde a feira é no meio da estrada e os veículos têm de contornar por ruas secundárias.

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=h66Wn4Zhvn0

 

http://www.youtube.com/watch?v=i6G7jtP7-Gk

 

http://www.youtube.com/watch?v=8eaw5yV58MU

 

http://www.youtube.com/watch?v=PN9Mw4NtkqU

 

http://www.youtube.com/watch?v=jSnLNIoRa2Y

 

http://www.youtube.com/watch?v=gdXziq8KTnA

 

 

 

 

8º dia (29 de Janeiro):  de Kolda (Senegal) a Kedougou (Senegal)

 

 

 

Neste dia fiz a aproximação ao parque nacional do Niokolo Koba pelo lado poente e sul, parque este dividido pelo rio Gâmbia de modo a atravessar o parque. No posto do parque um pouco a sul de Linkiring informaram-me que o caminho entre este local e a povoação de Simenti onde estava localizado o hotel estava impraticável na travessia do Rio Gâmbia, pelo que teria que entrar por um posto de entrada a norte na estrada que liga Tambaconda a Kedougou.

 

Em Tambaconda abasteci gasóleo e quando pretendia encher alguns bidões foi com dificuldade que o consegui, visto que a greve dos transportes em Dakar já estava a produzir falta de gasóleo no país, fazendo com que o governo decretasse que só era legal o abastecimento de depósitos de combustível de viaturas e não de outros vasilhames.

 

Bem, lá fui em direcção ao posto de entrada do Parque, sem deixar de perguntar a uma patrulha na estrada se a fronteira entre Kedougou (Senegal) e Kéniéba (Mali) tinha uma ponte para viaturas, visto que há um rio e poderia ser a passagem só para pessoas e em pequenos barcos. O Senegalês familiar de guineenses de Bissau telefonou para Kedougou onde confirmaram a existencia de ponte para viaturas.

 

A meio caminho de Kedougou deparei com o posto de entrada no parque.

 

Embora não tendo directamente a ver com isto, lembrei-me de dizer que em África nunca se compra nada (refeição, material, noite em hotel) sem se saber e/ou negociar o preço.  Caso se jante e se pergunte o preço depois este poderá ser um múltiplo do valor antes de ter a refeição. Turista e branco é apetecível.

 

Voltando à entrada do parque e pelas 17H00 o funcionário queria que pagasse 3,5€ (2000 CFA) de taxa de entrada por um período de 24H00 (tudo bem). Mas tinha que levar um guia comigo pelo valor de 15€ /dia (10.000CFA). Como eu tinha chegado às 17H00, caso quisesse entrar e passar a noite no hotel em Simenti para o guia eram 2 dias, independentemente de entrar às 17H00 de um dia e sair às 17H00 do dia seguinte. Para piorar a cena, como era só uma viatura 4X4 e podia ficar atolado não tendo a ajuda de um segundo 4X4 a área que podia visitar ficava reduzida a 30% do parque. Perante este cenário tão restritivo decidi dar meia volta e continuar a viagem para Kedougou até porque já tinha visto Leões, rinocerontes e crocodilos em Jardins zoológicos.

 

Chegado a Kedougou abasteci novamente, coloquei a bagagem num albergue e fui jantar descansando para o dia seguinte rumar ao Mali.

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=ciJBxtYqYd8

 

 http://www.youtube.com/watch?v=o8woPxisnoY

 

9º dia (30 de Janeiro):  de  Kedougou (Senegal) a Aourou (Mali)

 

 

 

A fronteira Senegal/Mali entre Kedougou e Kayes é feita pela natureza, visto que do lado do Mali existe uma falésia (de Tambaoura) que nos acompanha do lado direito de Sul para Norte ao longo do percurso.

 

De ambos os lados da fronteira existem minas de ouro a céu aberto exploradas e vedadas, onde também existem aeródromos. Cruzaram-se comigo “convoys” de camiões que rebocabam atrelados com contentores onde ia o minério e em que a última vistura era uma 4x4 com pessoal da segurança bem armado.

 

Uma das particularidades que se nota ao passar do Senegal para o Mali é a proliferação de motociclos como veículos de transporte, sulcando pistas e estradões de terra.

 

É curioso percorrer pistas de areia quase desertas e ver aparecer de quando em vez um motociclo com o condutor que aparece e desaparece no horizonte.

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=2_wzF76FukI

  

http://www.youtube.com/watch?v=kgAmGTEnGRs

  

http://www.youtube.com/watch?v=nriRorplXFQ

  

http://www.youtube.com/watch?v=pvd01Qc6t58

  

http://www.youtube.com/watch?v=qn01WPQhLOc

 

 

Chegado a Aourou, povoação do Mali a uma dezenas de quilómetros da fronteira da Mauritânia, já no lusco fusco, era uma boa opção descansar. Depois de conversar com alguns nativos e de me terem convidado para jantar, relaxei numa longa cadeira junto ao posto de polícia e em amena conversa com algumas pessoas.

 

Comecei a ouvir uma batucada que me despertou interesse. O motivo desta batucada era o treino dos jovens da escola para participarem no feriado local cujo objectivo deste feriado é cada um dar o seu melhor. A juventude escolr tinha como objectivo no feriado dar o seu melhor na dança. Tenho pena pela povoação não ter energia eléctrica, pois o filme da batucada não conseguiu captar a maravilhosa e energética dança dos jovens. Fiquemos pelo som que a meu ver vale bem a pena nestes três pequenos filmes.

 

http://www.youtube.com/watch?v=qn01WPQhLOc

 

http://www.youtube.com/watch?v=FEwnrAab3iM

 

http://www.youtube.com/watch?v=bYxLp9m9i_4

 

 

 

10º e último dia (31 de Janeiro):  de  Aourou (Mali) a Nouakchott (Mauritânia)

 

 

 

 

 

Pelas 06H45 ainda alvorada recomecei o andamento. O Sol só despontaria pelas 07h30.

 

 

 

 

  

 

Curioso nas povoações islâmicas é o relógio. Às 05H30 começa o altifalante com as orações e a população começa a levantar-se a varrer o terreiro em frentes às casas, para expôr o comércio para venda, ainda à luz da lanterna. Mesmo os talhantes estão a “desmanchar” as peças à luz da lanterna. Nunca vi uma lanterna com fita para pôr na cabeça. Quando precisam de trabalhar com as duas mãos, metem a lanterna na boca.

 

Uma pista normalmente tem várias faixas de andamento separadas até por dezenas de metros. Porque quando uma faixa de andamento fica mais difícil de transitar, fazem outro trilho paralelo afastado de distância varável. É necessário muita atenção, porque dum momento para o outro pode-se estar num trilho que tenha saído do trilho principal. Várias vezes me aconteceu ter de retormar, voltando atrás, o trilho principal.

 

A meio da manhã dei comigo noutro trilho que não era o principal. Era um trilho que se via que tinha continuidade, mas não era o principal, porque só tinha marcas de pneus de carroças de burro e de motorizadas. Por outro lado, em vez de seguir na direcção Norte para o posto fronteiriço do Mali com a Mauritânia (Kankossa) estava a seguir a direcção Noroeste. Como este trilho entrava mais rápido na Mauritânia e o GPS tinha a localização de populações, continuei este trilho, entrando “clandestinamente” na Mauritânia.

 

Ou seja no passaporte não há carimbo de saída do Mali, nem foi feita a entrega do “passe avant” do veículo na alfândega. Diga-se a propósito que nem o tinha, pois ao entrar no Mali em Kéniéba, nem me falaram nisso e como ia custar dinheiro: “para a frente é que é o caminho”.

 

Ao entrar na primeira povoação da Mauritânia, fui à “Gendarmerie” expôr como tinha entrado na Mauritânia. Ficaram desconfiados e a primeira reacção do polícia foi guardar a metralhadora em outro local, que não fosse eu dar-lhe outro destino. Ou seja não me parece que a princípio estivessem convencidos de que era um turista. A propósito várias vezes me aconteceu ao abordar “no deserto”  através de sinais pessoas que iam a passar em motoretas a fim de confirmar a direcção de uma povoação, afastarem-se pois ficavam “inseguras” ao ver só um 4x4 (“artilhado”) com unicamente o condutor. Como levava o hi-lift na bolsa preta, atravessado entre bancos, houve dois polícias que elogiaram a “boa arma” que levava.....

 

Bem, retomando o posto nesta polícia, avisaram a polícia em “Kankossa” que ia chegar ao posto um português para regularizar a situação de entrada no passaporte e obter o “passe avant”.

 

De Kankossa segui em estrada (pista até Kiffa). De Kiffa para Nouakchott é sempre alcatrão.

 

E assim se passaram 10 maravilhosos dias.

 

 

Fim da narrativa

 

Os tracks estão disponíveis aqui

 

http://www.portugal4x4.com/forum/viewforum.php?f=78

  

 

Como despedida:

 

Ultrapassagem de comboio na Mauritânia ao aproximar-me da fronteira com Marrocos

http://www.youtube.com/watch?v=SMthCPgYMY4

 

 

e o nascer do Sol em Tan-Tan 

 http://www.youtube.com/watch?v=nmu9AHQWkKI

 

 

Por fim algumas “Formalidades”:

 

Carimbos no passaporte e alguns documentos de fronteira sobre a viatura e seguros

 

 

 

 

 

 

 

 

Até breve e ao dispôr para qualquer informação